31.12.25
A verdade é que não
há sinais de melhoria. A Europa, apesar da tentativa de rearmamento, está cada
vez mais debilitada.
Em vez de negociar
diretamente com a Rússia, a Europa prefere bajular o louco que se instalou na
Casa Branca. Um homem de casino, que faz o jogo de Putin que, por algum motivo
inconfessável, o tem no bolso.
Nos próximos anos, a
Europa nada deverá esperar dos Estados Unidos, a não ser negócios ruinosos.
Em termos globais, a
China estende os tentáculos com o objetivo de asfixiar a Europa e a África e,
sobretudo, de se apoderar de Taiwan, pois os Estados Unidos de Trump nada farão
para impedir tal anexação.
Chegamos ao fim deste ano
de 2025 com a suspensão da guerra na Faixa de Gaza, com a apropriação pela
Rússia de 20% do território da Ucrânia, com o falso adormecimento do Irão, com
o cerco à Venezuela e a outros países da América e com diversos conflitos regionais
pouco noticiados...
Por cá, pouco posso
acrescentar, apenas que me parece que andamos a ser enganados, tal como
aconteceu nos governos de Sócrates. A classe política é cada mais incompetente
e irresponsável.
26.12.25
O Natal já lá vai! Nem o
espírito inicial persiste... E nem sei porque penso nisso... é um dado cultural
cada vez menos hegemónico...o que sejamos justos faz sentido. Tudo é relativo
e, em muitas situações, é nada.
Por vezes, apetece-me
fazer perguntas, mas para quê, se sei que as respostas seriam enfadonhas ou
mesmo mudas.
Fico em silêncio, embora
interiormente me agite, pensando que, talvez, ainda pudesse ser uma influência
positiva. Porém, começo a pensar que os próprios termos a que recorro são
retrógrados...
Não quero desistir, no
entanto, o ânimo vai entrando colapso.
15.12.25
Se não pudesse atacar os
socialistas e António Costa em particular, o que seria dele?
O que seria dele se não
pudesse atacar os 'ciganos' e os imigrantes por atacado?
Se não pudesse atacar os
corruptos e José Sócrates em particular, o que seria dele?
O que seria dele se o
deixássemos a falar sozinho?
Vamos admitir que o
'beato' André Ventura chega a Presidente da Republica. O que é que nos espera?
A revisão da
Constituição, a prisão de António Costa, a destituição dos socialistas dos
cargos que ainda ocupam, a eliminação de José Sócrates, a negação de subsídios
aos 'ciganos', a expulsão dos imigrantes, a barragem de entrada a turistas de
pé descalço... o corte de relações diplomáticas com o Brasil de Lula, com
Angola, com Moçambique... e até com a Igreja, paradoxalmente.
Com quem é que o 'beato'
André Ventura conta para levar a cabo esta limpeza?
Com a 'tropa' do Chega,
com o Ministério Público e com as várias polícias que ele sempre elogiou,
propondo-se remunerá-las principescamente...
Ontem, fiquei indisposto
com um programa que vi na televisão francesa sobre Céline. Sabem quem foi?
Estou farto de andar
albardado!
12.12.25
Nem sequer nos deixam percecionar
a realidade. Perdemos o direito à subjetividade. Somos permanentemente objeto
de manipulação... e depois exigem-nos que paguemos... e até que votemos em
fantoches da hora...
Vivo permanentemente a
tentar introduzir alguma racionalidade nas decisões, mas vejo-me obrigado a
desistir. Ninguém vê vantagem em tal esforço.
Vou deixar o barco à
deriva, alhear-me das fontes de informação, e de qualquer tentativa de
contrariar a voragem.
A bom entendedor, mas não
sei se ainda há...
4.12.25
A Internet veio facilitar
as compras, só que nesse espaço quem domina são as grandes redes comerciais,
estrangeiras.
Basta estar atento à
quantidade de estafetas que, de porta em porta, entregam pacotes da mais
diversa natureza, para compreender que os portugueses aderiram à dinâmica das
compras online.
Tornámo-nos preguiçosos,
deixámos de ir, por exemplo, aos mercados municipais. Em Moscavide, o mercado
já só tem três bancas: duas de legumes e fruta, e outra de peixe. Todas as
restantes se encontram às moscas.
E o mesmo no chamado
comércio local, multiplicam-se os estabelecimentos cujos produtos de reduzida
qualidade chegam predominantemente da Ásia, a preços mais apetecíveis... Até na
alimentação, cada vez menos mediterrânica!
Isto, para dizer que o
debate entre 'direitas' e 'esquerdas' é ridículo, porque mesmo aqueles que
vivem de subsídios de toda a ordem estão prontos a votar nos caudilhos da
hora...
30.11.25
Com sol me despeço de
novembro. Não fosse o vento fresquinho...
Confesso que tenho andado
um pouco irritado com a falta de educação do André Ventura e do seu milhão e
meio de fãs, o que põe em causa o trabalho educativo que procurei desenvolver
ao longo de quarenta e seis anos.
E também ando perplexo
com a quantidade de vidas carbonizadas em acidentes de automóvel, o que me leva
a questionar os materiais e a tecnologia...
Embora não me sinta
confortável, quero aqui registar a leitura de dois livros de poemas: ATÉ AO
NADA e outras variações, de António Souto; DES-ABRAÇO, de Maria José
Ferreira... Poetizam, de forma elíptica, o que a VIDA lhes trouxe e lhes traz,
e procuram exorcizar a MORTE.
Para Dezembro, levo
comigo Balzac que vai retratando impiedosamente o ano de 1808...
29.11.25
A liberdade de expressão
não pode dar cobertura à mentira e ao ataque pessoal. O debate de ontem entre
os candidatos André Ventura e a Catarina Martins foi tão violento que não há
espectador que resista... Ou há?
Se o que se passou num
canal televisivo, perante um moderador desesperado, tivesse acontecido numa
casa de família, haveria, certamente, quem chamasse a polícia, evocando
violência doméstica.
E não me digam que se
trata de 'ódio de facções', pois se esse for o caso, o proclamado amor a
Portugal anda pelas ruas da amargura....
25.11.25
Candidatos
à Presidência da República
Os candidatos só querem
passar à segunda volta... e alguns nem sabem do quê. Apanhados numa armadilha,
lá vão repetindo receitas de partidos, incluindo do partido único, que os
comprometeriam se, no futuro, tivessem de tomar decisões responsáveis.
No essencial, os debates
servem não para esclarecer, mas para eliminar aqueles que possam fazer prova de
alguma independência, de alguma responsabilidade.
Os painéis de
comentadores televisivos degradam a inteligência dos eleitores, criando perfis
artificiosos, chegando ao ponto de dar instruções de comportamento e de
atitude...
17.11.25
Hoje passei umas horas no
serviço de Urologia do hospital de São José - exames. Ninguém me acompanhou nem
era necessário, felizmente.
Só que, à porta do
pavilhão e nos corredores, havia mais de uma dezena de rom, à espera de uma
decisão... Alguém irá ser operado amanhã. Por volta das 13:30, debandaram...
Amanhã, bem cedo, voltarão.
Na zona em que eu me
encontrava um casal indiano, parentes remotos dos rom, esperava pacientemente.
Ele ensimesmado, ela decidida.
De qualquer modo, o que
mais me impressionou foi um casal de idosos vindos do Algarve. Ele debilitado,
ela mais lúcida, preocupada com a marcação dos exames de fevereiro. Receava que
a marcação coincidisse com o dia de Carnaval, pois para chegar às 10
horas, teria de sair do Algarve às 6 horas da manhã. Escaldada, não quereria
repetir experiência de outro ano.
13.11.25
Troveja, venta e
chove.
Fogo destrói armazéns de
frutas em Alcobaça e andares de luxo em Lisboa.
Talvez a notícia não seja
rigorosa!
As Cláudias, não me
refiro às ameixas, devem sentir-se bastante perturbadas. Descontroladas, sopram
em toda as direções. No entanto, um pouco de memória é suficiente para não
acusar os fenómenos atmosféricos ou as alterações climáticas.
O território é deixado ao
capricho do interesse humano e das marés. E depois os ribeiros surgem violentos
e as árvores maltratadas libertam as raízes.
E com a mesma violência,
as televisões exploram as ocorrências como se nós fossemos todos atrasados
mentais. Mudam os mandantes e tudo se agrava na paisagem urbana e rural.
9.11.25
Estamos em Novembro. O
mês começa com o 'pão por Deus', cada vez mais em desuso, no entanto, sinal de
pobreza. Segue-se o dia de Finados, iniciado no dia de Todos os Santos, também
eles sepultados. E depois acorda-se para o Orçamento, já descarnado por ação da
Santa Aliança...
No Parlamento, surgem
2176 propostas de alterações que só servem para esconder a realidade económica
do país, pois não há margem orçamental...
Nas ruas, começam as
manifestações de trabalhadores obrigados a lutar pelo direito ao trabalho, por
mais miserável que seja a remuneração.
De facto, o que passou a
estar em causa é a possibilidade de ser atirado para o desemprego. Quanto a
isso, o que é que diz o Orçamento?
E no Parque das Nações,
começa, amanhã, a Web Summit, cujo bilhete mais popular custa 1595 euros.
6.11.25
Noite de raios e
coriscos. No entanto, do que se fala é de descargas elétricas atmosféricas,
negativas e positivas. A ciência da IA obriga-nos a repetir o que não
percebemos e, felizmente, não sentimos...
Desta vez, os prejuízos
foram reduzidos e, talvez, porque as eleições autárquicas são recentes, houve
mesmo um presidente de câmara que se prontificou a pagar as despesas...
Onde os raios e coriscos
são permanentes é no Ministério da Saúde, só que aí ninguém quer arcar com a
fatura do aumento da procura, da degradação dos serviços, da cedência aos
privados... num país de pobres cuja insuficiência económica é
matreiramente anulada através de um ou dois bónus anuais...
Este bónus serve para que
um milhão de portugueses 'saia' da condição de insuficiência económica.
Curiosamente, se as
Finanças não atestarem a insuficiência económica do cidadão, este pode viajar
gratuitamente nos transportes públicos na cidade de Lisboa, mas não tem
direito, caso esteja incapacitado, por exemplo, a 97%, a transporte gratuito
para se deslocar ao hospital ou para regressar a casa (ao lar)...
2.11.25
Há cada vez mais entulho,
nas ruas, nos centros comerciais, nas televisões, nas redes sociais. E
esse entulho atrapalha, desconcentra, instala a mentira, e destrói-me os
neurónios sem qualquer hipótese de regeneração... E como sabemos, o entulho
agrava as enxurradas...
Agora que o Inverno se
aproxima há que estar atento às iluminações, às instalações que nos turvam a
visão com o objetivo de nos esvaziar as carteiras na quadra natalícia cada vez
mais profana... Mas isso, todos sabemos, e não temos emenda.
28.10.25
Não querendo ser ave
agoirenta, penso, no entanto, que os apelos à contenção e à estabilidade
escondem a realidade falseada dos números que nos atiram à cara diariamente.
Suavemente, caminhamos
para o desequilíbrio das contas públicas e privadas, mantendo as reivindicações
dos dias de falsa glória.
Somos assim. Gostamos de
ser enganados... e quando acordamos, desatamos ao soco e ao tiro... Só que
raramente saímos do sono letárgico em que andamos mergulhados...
Entretanto, o rapazola de
Mem Martins vai aproveitando a cobardia reinante para engrossar as suas tropas
- a piada dos três Salazares vai fazendo o seu caminho nas tascas, nas redes
sociais e nas televisões.
23.10.25
As mortes vão sendo
notícia, umas 'naturais', outras inesperadas, outras 'violentas' Todas
distantes, mas a que não conseguimos fugir: entram-nos pelos olhos e pelos
ouvidos, quer queiramos ou não...
Umas dão lugar a
espetáculo e a beatificação, as restantes a lamento e a condenação.
Parece que vivemos no
país dos mortos, hipotecando a cada dia que decorre o futuro: suspende-se o
trabalho, nega-se a responsabilidade, atirando a culpa para o passado mais ou
menos recente...
Esperemos que os
jerónimos continuem a orar por nós.
15.10.25
Não consigo falar da
Faixa de Gaza nem da Ucrânia de Trump. Só observo megalomania e negócio. Não
vejo motivo para idolatrar o americano, e desconfio que os americanos
adormeceram sem darem conta do pesadelo que os espera... a raposa passeia
eufórica no galinheiro. Ainda vejo as penas elevarem-se nos ares como se balões
em dia de festa.
Na Europa, repetem-se as
angariações de fundos e as promessas de rearmamento... no entanto, a Rússia vai
demolindo os dias de Kiev sem que se veja quem se lhe possa opor. Nas
televisões, vivemos os abraços, os beijos fingidos e as juras de quem só consegue
repetir estereótipos.
Eu, pelo menos, ainda
desconfio de mim, embora não prometa nada, nem faça juras. Amanhã, será outro
dia, em nada diferente dos anteriores, infelizmente...
14.10.25
Relembro o falecimento
(14-10-1956) daquela avó, Lúcia, que partiu sem me deixar marca de contacto
físico. Teria 125 anos, hoje...
Dela só registo o pouco
que me asseguraram: uma mulher que lutava diariamente pela família, fazendo a
pé uma dúzia de quilómetros para vender no mercado de Torres Novas os produtos
que a terra disponibilizava estação a estação...
Uma mulher que
sacrificava a saúde por uma causa maior! Uma mulher que seria rigorosa na
educação das três filhas, mas disso nenhuma delas se queixou, que eu me lembre.
Muitos familiares
partiram, mais ou menos diluídos no tempo, mas dela lembro-me sempre.
10.10.25
Assinalável pela
atribuição do Prémio Nobel da Paz 2025 a Marina Corina Machado e pela coragem
de não o atribuir a Donald Trump...
Esperemos que Trump não
se vingue passando a proteger o ditador Nicolás Maduro.
6.10.25
Ele que gosta tanto de
palrar, no dia da República, perdeu o pio... e nem sequer foi capaz de ler o
que escreveu sobre o 5 de Outubro... Porquê? Por causa das eleições, ele que
nem sequer é candidato...
Neste dia, a obrigação do
Presidente da República é celebrar a data, elogiando e criticando o que for
conveniente, independentemente dos comparsas que o acompanham no acto.
Tenho pena que o
Presidente da República não saiba respeitar o cargo para que foi eleito.
3.10.25
A flotilha sonhava com
uma armada. Como esta não iria comparecer, o fracasso era inevitável. Sonhar,
segundo se diz, não tem custos. No entanto, neste caso, há custos que acabarão
por ser pagos pelos palestinianos.
Há situações em que não
basta querer, é preciso que a armada se mova. Infelizmente, nada disso está a
acontecer na direção certa: dizimar populações não é aceitável, seja em Gaza
seja na Ucrânia.
Estamos numa época em que
as palavras escondem a cobardia das armadas.
30.9.25
Vestem bem, mas têm um
comportamento desprezível. Por ora, falam como os maltrapilhos, indo ao
ponto de lhes apertar a mão... Apesar de desprezarem os pelintras, descem
do púlpito para lhes caçar o voto - como iguais.
Na bandalheira, vamos
resvalando para a valeta, ao contrário de outros tempos em que era
necessário subir à montanha.
27.9.25
Por entre tantas
convicções, vivo inquieto, pois elas não perspetivam qualquer futuro que traga
paz, pão e tranquilidade. Já nem falo de saúde, pois ela pode ser posta em
causa a cada momento...
De facto, não basta
querer salvar o mundo, é preciso salvarmo-nos de nós próprios, porque somos nós
que catapultamos para os lugares de poder aqueles que só aspiram a espalhar o
TERROR.
Nada do que está a
acontecer é surpreendente, basta olhar para trás. Abolida a História, cada um
começou a desenhar um caminho em que os obstáculos passaram a ser eliminados em
nome do individualismo absoluto, mesmo se, por vezes, este se disfarce de
defesa de genuínos valores coletivos.
19.9.25
Por aqui, regressou...
agressivo e debilitante. O tratamento é o de sempre, sem o aparato da vacina:
paracetamol, anti histamínicos e outros redutores da tosse.
Continua a morrer-se não
à conta do vírus, mas da propensão para a morte. As autoridades estão
adormecidas, não vá a conta do SNS disparar ainda mais...
Um destes dias, ao ver o
Benfica em campo, pensei que a equipa tinha sido atacada por uma nova variante
do vírus. De qualquer modo, os benfiquistas já asseguraram o antídoto eficaz
para combater a praga.
Quanto aos portugueses,
não vale a pena esperarem pela ministra da saúde: atravessem a ponte!
15.9.25
Andei uns tempos ao ritmo
de um Samsung Galaxy Watch, sempre censurado por não emparelhar com um
smartphone Samsung... e que abusava da minha condição física, ao dar-me ordens
do tipo MEXE-TE, pois ainda não atingistes os teus objetivos...
Por enquanto, o meu corpo
não necessita de estar permanentemente sob a vigilância de um
indecifrável algoritmo e, por outro lado, o meu espírito liberta-se de uma
pressão exterior que, aliada a muitos outras, essas, inevitáveis, já me pesam
no dia-a-dia.
Um destes dias, opto pela
hora solar!
7.9.25
Está a ser difícil sair
de Agosto e entrar em Setembro.
Em primeiro lugar, porque
não faz sentido, em matéria de tempo, falar de entradas e de saídas, ainda se
fosse de mudanças de temperatura com efeitos nocivos no território e no corpo
dos seres.
Em segundo lugar, porque
se é obrigado, de forma súbita, a passar da euforia à disforia pessoal e
coletiva, com a agravante de tudo ser objeto de exposição pública, alimentando
voyeuristas e necrófilos.
Finalmente, porque nos
deixamos enganar facilmente por decisores verdadeiramente incompetentes e
sabujos...
A única luz que ainda
acalento é a da chegada de um bando de íbis ao estuário do
Tejo que, talvez, nos possa despertar para a sabedoria e para o conhecimento
tão desprezados.
27.8.25
À quarta tentativa,
consegui chegar, de manhã, à Praia da Figueirinha... graças à UBER.
No entanto, da minha
observação, pude constatar que, a partir das 13 horas, já não há problemas de
estacionamento. Por outro lado, a Carris Metropolitana também cumpre a função
de transportar os veraneantes.
Bem enquadrada, a praia
oferece condições para pescadores amadores e mais afoitos. E toldos e 2
espreguiçadeiras, 25 euros ao dia, ou 15 até às 14 horas.
Garanto que não sou
candidato a concessionário nem às próximas eleições autárquicas. Gastei o tempo
a ler Balzac, grande especialista da grandeza e da miséria humana.
24.8.25
Não
sei se eram todos imigrantes
Não sei.. O facto é que
por volta das 16 horas, tentei chegar à Praia da Figueirinha, mas acabei por
fazer meia-volta...
Não me pareceram íncolas,
os carros eram aos milhares!
Já não tenho paciência
para aventuras em que sou obrigado a respirar as poeiras das cimenteiras que
vão esventrando a serra da Arrábida...
Entre os veraneantes,
muitos seriam emigrantes a aproveitar os últimos dias do regresso ao país de
origem, bem longe dos fogos que acabarão por gerar novos e facilitados
emparcelamentos...
16.8.25
Parece que a Inteligência
Artificial já aprova ou desaprova os textos da Inteligência Humana. A sintaxe e
o léxico deixam de poder desviar-se do padrão e do estereótipo. Qualquer
indício de criatividade é rejeitado porque não cabe no critério do 'uso'...
A pesquisa está cada vez
mais condicionada pelo filtro da I.A., validando a pressa que nos move... Por
este caminho, pensar deixa de ser uma necessidade porque
abdicámos, de vez, de ser livres.
Por este andar, pouco
falta para que fiquemos ancorados, a enferrujar ou a arder no perímetro de um
qualquer incêndio.
E se, finalmente, nos
dessemos ao trabalho de abrir acessos e de limpar os matos que nos infestam a
vida.
12.8.25
Enquanto me debato com o
calor e com o cansaço, ainda por explicar, percorro, como se caracol fosse, as
ruas da Baixa lisboeta... E não posso deixar de observar os múltiplos
grupos de turistas que se vão formando a cada esquina, escutando atentamente a
'palavra' de cicerones de várias nacionalidades que contam, à sua
maneira, a história de cada placa toponímica, de cada praça, de cada edifício,
de cada pilastra... Tudo em tom de rosário desfiado velozmente, não vá a
canícula dar cabo do ganha pão do dia...
Da ciência, desconfio,
mas que importa: outros valores vingam por toda a parte...
9.8.25
Estou a ler
alternadamente a obra completa de Balzac e a Biografia de Herberto Helder
"Se eu quisesse enlouquecia", de João Pedro George...
De comum, a
irracionalidade da ação humana, tanto coletiva como individual. De certo modo,
o que assoma é a procura da satisfação dos instintos, independentemente do que
os padrões de cultura possam sugerir... Umas vezes em nome de uma arte
diferenciadora, outras de uma justiça niveladora...
Talvez por isso já não me
espantem os argumentos que condenam os imigrantes e os estrangeiros, tal como
os argumentos expansionistas de Israel, da China, da Rússia e dos EUA.
No Café da Paz
balzaquiano, só havia gritaria e nuvens de moscas... Por aqui, na Avenida dos
ciprestes, sopra uma ligeira brisa...
3.8.25
Kaja Kallas, Alta
Representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros,
escreveu nas redes sociais:
«As imagens dos reféns
israelitas são aterradoras e demonstram a barbárie do Hamas. Todos os reféns
devem ser libertados imediata e incondicionalmente.»
De facto, Israel deve
deixar de exterminar o povo da Faixa de Gaza. E o Hamas deve entregar todos os
reféns... No entanto, não é nas redes sociais que o caminho
para por termo ao conflito pode ser exigido. O efeito é precisamente o
contrário...
Outrora, a discrição dos
canais diplomáticos evitava a negociação pública, facilmente manipulável. O que
parece é que a União Europeia prefere o populismo das redes sociais, porque,
afinal, o que está em causa é o futuro pessoal e político dos dignatários...
Ao escolherem as redes
sociais para emitir opiniões ou, mesmo, para comunicar decisões, os políticos
estão a degradar a ação política.
E nós vamos atrás!
29.7.25
BallinStadt - Museu dos
Emigrantes Hamburgo. Não faz sentido falar, aqui, deste Museu.
A informação está disponível online. O que merece a pena é
percorrê-lo, atentos ao imenso espólio da migração europeia para os EUA, dos
finais do século XIX à Segunda Guerra Mundial.
As migrações são
inevitáveis e, muitas vezes, são um fator determinante do povoamento e do
desenvolvimento económico.
O resto é maldade ou
estupidez...
25.7.25
Desta vez, foram os
Cabecinhos Brancos que mudaram de mãos, por meia dúzia de euros...
Noutro tempo, o trabalho
era árduo à beira da Serra de Aire... Havia horta, havia vinha e até uma seara,
sem esquecer as figueiras, as oliveiras e as amendoeiras...
O poço foi secando... e o
trabalho foi-se tornando inútil e empobrecedor...
O que fazer? Partir,
esquecer... e envelhecer... até que o branco escureça.
Pode ser que os novos
proprietários descubram por ali as "terras raras" por ora tão
disputadas!
19.7.25
Ali, no fundo da piscina
aspira continuamente até que o mandem concluir a tarefa. Pelo que observei não
se cansa nem faz greve de zelo. De tempos a tempos, vem à superfície e limpa as
paredes como se fosse uma lapa ...
Começo a observação por
volta das 19 horas e, no dia seguinte, lá continua, imperturbável, a operação
de limpeza. Vem-me à ideia de que o robot talvez seja perfeccionista...
Admiro-lhe a resiliência,
gabo-lhe a saúde e não posso deixar de o invejar... agora que me canso cada vez
mais e me queixo por dá cá aquela palha...
Entretanto, já não
consigo comentar o que se passa... Por exemplo, porque é que se deixa construir
a torto e a direito e, sobretudo, por que motivo não se remunera devidamente o
trabalho, de modo que as pessoas não acabem a viver em barracos ou na rua...
O problema não é de
construção é de remuneração!
12.7.25
O
poeta (António) Silva Carvalho vai viver ...
«Estou aqui, neste
poema, e sei que vou sobreviver
a quem me escreve! Tem
que ser assim! É assim
que se faz a história do
homem, como se nada fosse,
uma palavra aqui e uma
necessidade ali, o tudo
surgindo como uma
evidência tão natural e certa
que a própria filosofia
não sabe o que dizer!»
22/5/1986, SILVA
CARVALHO, CYPRESS WALK
Sem notícia do António
desde 2023, a esposa enviou-me um oportuno e-mail a recordar-me a amizade, mas
que o colega e amigo partira de vez... no dia 8 de Julho de 2025.
6.7.25
Morrem dois jogadores de
futebol. Morre um militar de Abril. Morre uma fadista. Morre um músico e
produtor musical...
E morrem diariamente,
anónimos, muitos outros que abnegadamente tudo fizeram pela família, pela
profissão, pela comunidade...
Para os primeiros, a
comunicação social guarda-lhes, quase, toda a programação. Para os restantes,
meia dúzia de palavras e de imagens ou o silêncio absoluto...
Que todos repousem em paz
neste país de pouco senso.
Entretanto, José Sócrates,
que tudo tem feito para não ser julgado, agora quer um julgamento em direto.
Porque será?
Finalmente, gostaria que
o Estado esclarecesse a quem é que, de facto, tem sido atribuída a
nacionalidade portuguesa nos últimos dez anos. Será assim tão difícil fazer um
gráfico que clarifique a origem dos 'novos' portugueses!
30.6.25
Posso estar enganado, mas
suspeito que a vitória de Trump na guerra Israel-Irão esconde um acordo em que
ninguém quis perder o estreito de Ormuz, a começar pela China...
Deste modo, todos cantam
vitória.... e a resolução do problema foi mais uma vez adiada, o que permite a
Israel continuar a terraplanagem da Faxa de Gaza e à Rússia manter a invasão da
Ucrânia ..
Por outro lado, Taiwan
liberta-se temporariamente do sufoco...
Quanto à União Europeia,
não posso dizer nada de dignificante. Os seus dirigentes acreditam que basta
agitar a folha de cálculo...
25.6.25
Na corte, a tradição
diz-nos que cada rei tinha o seu bobo.... Hoje, o bobo sentou-se no trono, não
mudando o seu modo de ser/dizer, e, à sua volta, amontoam-se os aduladores que
decidiram elogiar-lhe os caprichos...
Pasmo da cega obediência
da Europa e, sobretudo, da crença de que Putin é o inimigo e de que Trump é o
salvador, quando ambos são farinha do mesmo saco.
22.6.25
Por aqui, só andorinhas
em permanente voo sem necessidade de serem reabastecidas. Voo picado à procura
de insetos sem abrigo.
A maré ia cheia: nem
peixes nem patos.
Flamingos, talvez
invisíveis! E estes é que podem ser perigosos, caso transportem a
Bomba GBU-57... O Irão que o diga!
No entanto, por aqui,
parece que não há perigo de sermos atacados pelo Sr. Trump: as terras são
pobres; a população caminha para a extinção... o território está à mercê de
quem desembarca no aeroporto... os políticos não têm vontade própria, nem sabem
o que isso é.
O que me perturba, não
são os estorninhos que rasam as fachadas dos edifícios, mas a nuvem de
comentadores que, durante horas, falam do que não sabem como se estivessem numa
sala de aula cada vez mais vazia.
14.6.25
Sua
Excelência, de Corpo Presente
Pepetela publicou
este romance em 2018. Estranhamente, só hoje acabei de o ler...Para quem já
lera pelo menos 17 títulos deste Autor é inexplicável... ou, então, cansei-me
do rumo da narrativa.
De qualquer modo, este
intervalo de 7 anos não tornou o romance obsoleto. Infelizmente, apesar das
mudanças políticas, o poder continua a servir os mesmos propósitos: o
enriquecimento dos parentes, legítimos ou ilegítimos, dos fiéis de infância e
de caserna... o endeusamento dos déspotas, servidos por esbirros implacáveis...
A técnica narrativa
relembra algumas obras de José Saramago, em particular O Ano da Morte
de Ricardo Reis. Sua Excelência, durante o seu próprio velório,
revisita a sua vida e a da pátria, dando particular ênfase à sua prole, fruto
da sua concupiscência.
O seu caixão acaba numa
lixeira montanhosa que se erguera junto ao palácio presidencial...
11.6.25
O problema não é de pele
nem de sangue. O problema está na cabeça.
De nada serve
responsabilizar o passado. A violência atual não é diferente da do
passado.
A pulsão do ódio combate
todas as formas de respeito pelo outro, até porque a sociedade abdica da
educação... na família, na escola, na comunidade...
Os porquinhos não têm
culpa...e as pessoas também não.
9.6.25
O
onze inicial deve ficar a cargo da IA...
Mesmo que o senhor
Martinez tenha inventado, no final, a seleção venceu a Liga das Nações em terra
bávara.
Creio que o objetivo,
agora, é ganhar o campeonato do mundo em 2026. Por mim, o senhor Martinez deve
manter-se como selecionador. No entanto, o onze inicial deve ficar a cargo da
IA...
Creio que se for esta a
opção, no terreiro onde se move o CR passaremos a ver o Gonçalo Ramos com
o João Neves ao lado do Victina...
O capitão Cristiano
Ronaldo deve manter-se na função, só entrando em campo em caso de crise...
7.6.25
Diz-me a Irene Resende
(in Os Passos Dados) que estou em falta. Caruma sempre correu
no tempo e no espaço, não dando a devida importância ao som. Talvez
porque cedo lhe impuseram o silêncio, a obediência... De facto, quando a sala
de aula passou a ser espaço de recreio, a Caruma sofreu o efeito do ruido... e
começou a dar conta da dispersão. E perdeu-se num registo corrido de
incongruências sem remissão...
Por vezes, o som ganhava
expressão, por uma ordem inexplicável: os corvos, as cobras, as rolas, os
aviões, os automóveis, os melros, os periquitos de colar... os professores nas
estações de comboio e de metro...
Hoje, já, não me
interessa registar a verborreia do presidente, que se agarra ao cachaço das
criaturas.... registar o fracasso dos governos ocupados em satisfazer as
respetivas clientelas, em explicar por que motivo cresce o ódio ao emigrante,
quando se prefere viver de subsídios...
Continuo afetado pelo
ruído, sem remissão...
2.6.25
Voltei a Hamburgo. A
semana era de férias escolares. Consequência: menos movimento.
No entanto, como fiquei
hospedado numa esquina da estação de Altona, tive a possibilidade de observar a
complexa rede de transportes que permanentemente expelia e engolia a massa
humana que se deslocava em trabalho ou em lazer...
O clima instável
convidava o transeunte a adaptar-se à chuva e ao vento, o que me permitiu, por
exemplo, entrar em lojas de roupa e de comida, tendo compreendido que os
produtos se vendem ao mesmo preço de Portugal, apesar da enorme diferença de
remunerações... Fiquei a pensar na margem de lucro das empresas alemãs que
estão instaladas em terra lusa...
Não faltam jardins, ditos
botânicos, nem a restauração portuguesa, sem, todavia, rivalizar com a
gastronomia turca. Também não faltam museus. Só visitei o museu da emigração,
que dá conta da deslocação de milhões de europeus (russos, judeus, polaco, alemães)
para os Estados Unidos - finais do século XIX até aos anos 30... um verdadeiro
êxodo!
E depois há o Elbe e a
vida marítima. E a Philarmonie... Quanto ao bunker da Segunda Guerra
Mundial, em St. Pauli, não cheguei a consultar a diária...
21.5.25
Nos hospitais, há balcões
de macas, onde o doente espera e desespera pela libertação de uma cama, nem que
seja num hospital satélite ... Ao fim de alguns dias, a família é informada de
que o seu familiar foi transferido para uma enfermaria noutra unidade..
Só que, quando se procura
o doente, acaba-se por encontrá-lo na enfermaria, mas numa maca entre duas
camas...
20.5.25
Deixemos as praças
e procuremos os atalhos.
Neste atalho esquecido,
mora uma amoreira que não renega a sua missão. Uma amoreira frustrada, porque
os milhares de frutos não chegam a amadurecer.
Talvez porque as amoras
lhes pareçam uvas maduras, as aves do lugar e dos arredores devoram-nas ou
deitam-nas ao chão.
A frutificação revela-se
incompleta porque um agente externo não tem paciência para esperar - a fome é
má conselheira.
Como bem sabemos, a fome
não explica tudo. É sobretudo, a avidez que nos move e, frequentemente, a
ignorância e a estupidez.
Daqui a um mês, já não
haverá vestígio de amoras. O mesmo não se poderá afirmar da estupidez e da
ignorância...
19.5.25
Como cada um sabe o que
quer, o resultado das eleições não desmente o caminho que preferimos... À tona,
a vacuidade e a bazófia, assentes em estacas cada vez mais podres...
Daqui a uns tempos,
mudaremos de ideias, mas será demasiado tarde...
Entretanto, as cabeças
começam a rolar, e como sempre, umas tantas vão continuar impunes e a
brilhar...
18.5.25
Cada um sabe o que quer.
O espaço convida. Poucos conhecem a história do lugar... quem quer saber de
fogueiras condenatórias!
Focados, seguimos, mesmo
se alertados para os perigos das escolhas que fazemos...
O Teatro Dona Maria II
continua em obras.
16.5.25
Ao longe, avistamos uma
ponte. Sabemos para o que serve, mas, ao certo, parece que nos falta vontade de
a atravessar, a não ser que valorizemos a fuga...
Mais perto, avistamos
água que nos parece azulada, mas sabemos que, facilmente, muda de cor. De
qualquer modo, a ciência põe em causa o nosso saber quanto à cor das marés...
Mais perto ainda,
avistamos uma plataforma de madeira, cuja substância é feita de múltiplas
formas cuja função é facilitar a ancoragem de naus cada vez mais distantes...
Diante de nós, o que
parece ser um tanque, onde alguém se encarregou de aprisionar uma árvore
sem futuro... Sobra-me o lodo das marés!
14.5.25
A modéstia não faz mal a
ninguém, mesmo se calcada. É preciso aceitar!
O tempo dela é efémero, e não depende de si. Do que regista, pouco acrescenta,
mas pode servir para cotejar algumas visões mais arrojadas.
O folego tem diminuído,
não por falta de assunto, mas por falta de verticalidade.
Já restam poucos
pinheiros!
12.5.25
Márcio Laranjeira escreveu
e realizou CASA ABRIGO.
Vi, hoje, 2 episódios (de
6) na Culturgest.
Um filme que nos dá conta
de um exorcismo que não se esgota na libertação de memórias inconfessáveis.
Estas memórias e outras mediatizadas à exaustação são recriadas na
Casa-Abrigo, onde a vida continua a ser dolorosa, apesar da esperança de que a libertação
do passado e do presente possa acontecer.
Falta, agora, que a RTP
cumpra o projeto inicial: difundir os 6 episódios que compõem CASA-ABRIGO,
libertando-se de impedimentos de circunstância...
8.5.25
Leão XIV. Não
me vou adaptar facilmente... (Leões só na selva! Nem no circo nem no Jardim
zoológico!)
Parece que alguém terá
pensado que este americano, Robert Francis Prevost Martinez,
será capaz de enfrentar os novos déspotas, como Leão I terá
tentado dissuadir o huno Átila de invadir Itália... ou, talvez, os cardeais
eleitores tenham pensado que Leão XIV irá apostar num estilo
mais colegial do que o seu antecessor, Francisco...
Esperemos que este novo
Papa não se esqueça de aprofundar a 'doutrina social da igreja' de Leão
XIII, e que repense a 'doutrina missionária'. Sim, porque a evangelização
nem sempre foi feita pelos melhores motivos...
E claro, será que este
novo Papa está consciente e tem vontade de acabar com a subalternização
da mulher na Igreja Católica?
Vamos estar
atentos!
5.5.25
O
Zigue e o Zague do Montenegro
Estou deliciado com a
criancice de certos candidatos a primeiro-ministro... Lembram-me os meninos de
escola que, não tendo feito o trabalho de casa, aproveitavam todas as
oportunidades para ridicularizar os mais aplicados.
Alistaram-se cedo nas
juventudes partidárias, fazendo estágio nas 'tunas'...e foram trepando até
chegarem onde estão ou querem vir a estar...
Como nunca se aplicaram,
continuam a ziguezaguear e a brincar com quem estuda, com quem é sério e
competente...
Continuam a viver de
expedientes e a necessitar de padrinhos que os avalizem.
1.5.25
O debate deveria ter sido
realizado num mercado municipal. Seia mais autêntico.
Afinal, os candidatos são
apenas intermediários, por mais que se esforcem por passar por produtores,
arrependidos em tempos distintos...Apostam na falta de seriedade como cartão de
visita, o que deveria ser suficiente para os afastar.
De concreto, não vendem
nada. Apenas sonham com o voto dos jovens, das mulheres, dos pensionistas e
reformados.
Finalmente, insistem em
fazer de nós parvos no que respeita a salários. Eles bem sabem que são cada vez
menos os que ganham o suficiente para ter uma vida desafogada!
29.4.25
28 de Abril foi dia da
Rádio!
Sem a Antena 1, não teria
compreendido o que se estava a passar. O Apagão elétrico mostrou a
fragilidade da rede ibérica e, sobretudo, que o barato sai caro...
O efeito da ação da
TROIKA foi a entrega de sectores fundamentais aos privados, para quem o
essencial é o lucro...
Saída a TROIKA, os
governos não se preocuparam em recuperar os setores essenciais, como o da
energia e o das comunicações...
Quanto ao povo, o que lhe
interessa é o que se passa nas redes sociais. Mas, ontem, ficou às escuras,
mesmo de dia...
Já agora cito uma vizinha
que confessava ao telemóvel: eu até tinha um rádio, mas não tinha
pilhas...
26.4.25
Estive em Mértola, mas o
que despertou mais a minha atenção foi o rio Guadiana.
Claro que a vila velha
impressiona: ruelas estreitas, floridas, com uma vista extraordinária para o
rio e para o castelo... tudo alimentado pelo poder autárquico. Os turistas
alimentam os hotéis e os restaurantes... A população é quase invisível. De certo
modo, as aves são mais audíveis, embora esquivas. Quanto ao passado, dou a
palavra aos arqueólogos: as escavações continuam...
19.4.25
Estamos a perder a
oportunidade de ver as coisas como elas são, preferimos o reflexo, e nem sequer
esperamos vê-las mais tarde, numa dimensão anunciada, mas para a qual não fomos
formatados.
Vivemos do reflexo, não
das coisas, mas de nós próprios - de sonhos, de medos. Incapazes de respeitar
os outros, porque, afinal, não os vemos. Se existem, é para nos servir...
Nesta Páscoa, o que é que
há para ver, para além das imagens de que nos podemos desligar? A não ser que
no palco, surja algum holograma, continuamos incapazes de nos libertar...
10.4.25
Não é espuma, é a
essência dos dias de que nos vamos afastando. Preferimos discutir as tarifas
americanas, como se tivéssemos abdicado de procurar a autossuficiência.
Preferimos viver de
fundos europeus que nos permitem todo o tipo de importações, muitas vezes
supérfluas...
Detestamos o trabalho e
perseguimos quem trabalha, vivendo cada vez mais de subsídios. Só assim nos
sentimos vivos!
Um destes dias, vamos a
votos, sem querer pensar que podemos perder o subsidio, porque iremos votar a
favor da guerra, desde que outrem esteja disposto a dar o corpo ao
manifesto...
Ainda não percebemos que
o tempo das invasões franceses, das grandes guerras e da guerra colonial já
acabou.
Agora a guerra é outra e
exige mais inteligência, inclusive para combater a IA.
3.4.25
O
Cemitério do Elefante Branco
Para quem gosta de
compreender a contemporaneidade, designadamente de raiz lusófona, é
imprescindível ler o conjunto de estudos sobre 'retornados e ficções do
império português' da autoria de João Pedro George.
Trata-se de uma obra bem
documentada sobre o modo como o 'êxodo' africano foi acolhido e percepcionado
no Portugal 'europeu'.
A atenção dada às
publicações, que sobre a matéria foram sendo publicadas no pós-25 de abril, é
exaustiva e evidencia a natureza do trabalho editorial desenvolvido.
Primeiramente, de contestação do processo de descolonização e dos seus
intérpretes, e depois de 'apagamento' das vítimas do colonialismo... No
essencial, explica a visão que, hoje, continuamos a ter do Outro... seja
refugiado, imigrante...
Pessoalmente, esta
leitura obrigou-me a questionar a posição de alguns escritores 'engajados' que
costumava considerar como 'esclarecidos'... e, por outro lado, confirmou-me que
a os 'best-sellers', gerados no seio dos órgãos de comunicação social mais não
são do que formas de ganhar dinheiro à custa da nostalgia... e do branqueamento
da realidade...
Tudo a branco, mesmo que
se seja negro!
31.3.25
Com pés de betão nem o
vento nos arranca do chão... e nós gostamos de quem carrega na
transparência..., mesmo que isso signifique enfiar-nos a carapuça...
A tradição consagrou o
princípio de que, conquistado o poder, tudo devemos fazer para que o
preservemos, isto é, estejamos de pedra e cal...
Há, no entanto, quem à pedra prefira
o betão. E à cal, os meios de comunicação, formais ou
informais...
29.3.25
Dizem-me que choveu muito
em Março. Desconfiado, resolvi visitar as Portas do Sol, em Santarém.
Chegado, fui surpreendido
por um caudal amarrado às margens e que em nada pode ser comparado às cheias de
outrora.
Sempre tinha motivo para
desconfiar: a comunicação social abusa da falta de memória do cidadão... Repete
à exaustão pequenos detalhes com o objetivo de nos estupidificar...
E o que é válido para a
chuva também se aplica à política!
Quanto à cidade de
Santarém dá pena. O casco da cidade está cada vez mais degradado. Basta
observar o estado do Teatro Rosa Damasceno... e quanto aos novos habitantes, o
melhor é calar.
23.3.25
Dizem-me que a Primavera
já chegou. Certamente, temerosa. Quanto a isso, nada devo acrescentar a não ser
que o Martinho terá vindo fora de estação, pois para novembro ainda falta um
tanto...
Dizem-me que nos Estados
Unidos da América chegou um déspota, de seu nome Trump. Apressado, procura
açambarcar terras e minérios, eliminar o que resta da Liberdade...
provavelmente nem as estátuas se salvarão...
Dizem-me que o tirano
Putin quer a paz oferecida pelo amigo Trump, ignorando a vontade da Ucrânia...
Isso, no entanto, é uma fantasia dos estrategas e dos comentadores. Putin
alimenta-se da guerra, tal como Netanyahu... Sem ela, seriam banidos...
Dizem-me que o Montenegro
se candidata nas eleições legislativas de maio, não me espanta, porque, afinal,
ele tem sucesso nos negócios... Parece que o sonho de uns tantos é serem
montenegros.
17.3.25
Já não me apetece
comentar. Apenas, observo, procurando não ajuizar sobre o estado das coisas e
dos seres.
No essencial, procuro
preservar-me das tensões, dos abusos, da incompreensão...
Arrumo palavras em
diários sem futuro, porque a sua leitura só traria contrariedades...
E leio Balzac, porque
este autor já não engana ninguém e faz nos habitar um planeta que se pensava já
perdido...
11.3.25
Não vou fazer
considerações sobre a queda do Governo pela simples razão de que era
inevitável.
O desespero da classe
política é enorme... a esta hora há imensa gente à procura de emprego...
De positivo, apenas a
esperança de que a próxima Assembleia República possa ser constituída por
pessoas que sejam educadas e honestas…
Pedir mais é absurdo num
tempo em que um governo vai ao ponto de servir os interesses familiares de um
primeiro-ministro e não do país, como lhe competia.
6.3.25
Seja em nome da Monarquia
ou da República, dos Reis ou dos Azuis como ensina detalhadamente Balzac na sua
obra, o que está em causa é a conquista do território, das matérias-primas e
até das 'graças' mais ou menos espirituais...
De Putin a Trump, o que
está em causa é a hegemonia, mesmo que tal signifique o sacrifício dos sequazes
que neles votam... o resto não lhes interessa de todo.
Por cá, parece que o povo
vai regressar às urnas para confirmar o carácter de quem nos governa e nos quer
governar.
E claro, a falta de
carácter não é propriedade dos governantes. Há muito que os governados têm
vindo a ser preparados para tudo branquear...
Depois do Monte Branco,
agora temos o Monte Negro... e nós continuamos a votar nos de sempre, cada vez
mais raposos.
28.2.25
Trump humilha Zelensky na
Sala Oval. Os Estados Unidos humilham a Ucrânia. Zelensky saiu da Casa Branca
sem almoçar...
A comunicação social
trata Trump como 'rei'. Creio, no entanto, que ele se projeta como FARAÓ.
24.7.2010
Os reizinhos não herdam o
trono. Cercam o poder, sabotam os pilares das instituições e progressivamente
impõem os seus interesses. Ao contrário do monarca, educado para servir a
coletividade, para exercer o poder em nome dos súbditos, o reizinho está-se nas
tintas para o outro; ele é o soberano que abdicou dos vassalos…
Os reizinhos têm um
enorme defeito. São incapazes de criar o que quer que seja e/ou admirar a obra
alheia. E encaixam numa enorme moldura, à espera de serem adulados… (meditação)
A esta hora, Putin deve
estar a pensar que por este andar o melhor é negociar com Zelensky, pois para
Trump não há almoços grátis...
22.2.25
Divididos, diria
radicalizados...
Seja qual for o resultado
das eleições de 23 de fevereiro, os alemães não vão querer cair nas mãos dos
americanos, dos russos ou dos chineses... o que significa que o orgulho alemão
vai fazer sentir-se nos próximos anos...
Infelizmente, o levantar
da cabeça alemã deve preocupar-nos, porque tal significa produção intensiva de
armas de modo a recuperar o poderio de outras épocas com as consequências que
todos conhecemos ou deveríamos conhecer.
Não acredito que os
alemães queiram continuar a depender do 'humor' americano e, sobretudo, queiram
manter tropas americanas no seu território.
Há quem pense que Trump é
que impõe as regras, pode ser. Mas os alemães vão aproveitar para se
'libertarem' da presença estrangeira, voltando-se para dentro... e quem não os
acompanhar candidata-se a sofrer as consequências...
Dos resultados eleitorais
sobrou a divisão, a falta de coragem para afastar os 'demónios' do passado.
Entretanto, parece que na
Alemanha há cada vez mais atrasos nos transportes, nos correios...
19.2.25
Em fevereiro, o azul
esbateu-se, apesar da pompa e das recriminações... A cor mais adequada parece
ser o cinzento, sobretudo quando espreitamos o céu do Papa Francisco, que, por
estes dias deve estar a fazer contas à vida, cada vez mais distante da pompa e
mais perto da porta de São Pedro... Pode ser que o Sol ainda abra e que a Terra
não trema!
Não confundir esta
abertura com as cores do Carnaval que se avizinha! E já agora, na terra
lusitana, a folia já chegou. Basta espreitar o que se passa no Parlamento...
uma folia despudorada, sem lei nem roque... como diria o Poeta.
16.2.25
Há quem consiga,
literalmente, viver de bem com Deus e com o Diabo.
Raramente me referi a
Jorge Nuno Pinto da Costa, porque o cinismo sempre me incomodou. Vejo, agora,
no ecrã um mural que o coroa como rei. Na hora, talvez, a coroação faça
sentido... só que os súbditos deixam muito a desejar. Vão certamente
manifestar-se... espero que, desta vez, vistam de azul e que façam silêncio...
A beatificação parece-me
ser excessiva. No entanto, estou seguro de que no ato não faltará cardeal, o
que intensifica a minha descrença nos homens...
Entretanto, ao
olhar o Tejo que deixa que a terra lhe ocupe o leito, sossego.
10.2.25
Fevereiro avança sem
esperança, não fosse a chuva, a espaços...
China e EUA trabalham
afincadamente para assinarem novo Tratado de Tordesilhas.
A União Europeia e a
Rússia parecem não querer compreender que a esperança não está no confronto
territorial, mas na aproximação politica, económica e cultural.
Se o problema está na
péssima qualidade dos mandantes, os rebanhos, também, não ajudam nada: só o
pasto lhes interessa... e os rebeldes estão cada vez mais atraídos pelo abismo.
Finalmente, 'les chouans'
não olham a meios para se apoderarem do alheio.
4.2.25
Levanta-se a suspeita,
acusa-se, julga-se na rua... e sete anos mais tarde, arquiva-se o processo.
Medina que o diga!
Há Ministérios em que as
chefias se esquecem de avaliar o período experimental, ignoram a
contratualização de objetivos, não despacham a horas. E porquê?
Desempenham outros papéis
fora do local de trabalho... respeitando uma velha tradição, transmitida dos
avós de outras eras.... senhores caprichosos e, em regra, incompetentes que se
escudam em artigos e parágrafos invisíveis para impor um obsoleto critério de
antiguidade, diga-se, de nepotismo.
31.1.25
Não me enganei no
caminho, mas chegado a 2025, não sei como continuar e se vale a pena...
De regresso a 2006,
verifico que as postagens contêm demasiados erros e que algumas fotos
desapareceram...
Durante algum tempo,
pensei que a memória poderia ajudar a construir, mas, pelo que se observa, a
memória já não ensina. Cristaliza como prova de imperfeição e, por vezes, traz
consigo uma dúvida impiedosa....
26.1.25
Z Marcas é uma personagem
criada por Balzac.
De origem humilde, Z
consegue estudar, alcançando um patamar de conhecimento superior em domínios
nevrálgicos - direito, oratória e política...
No entanto, a sua
condição social e económica coloca-o numa posição de serviço. Serve políticos
medíocres e arrogantes, que dele se esquecem logo que os ministérios se
desfazem, o que, à época, era frequente...
Não consegue sair da
condição de desprezado e esquecido porque lhe falta o capital necessário para
comprar uma casa em Paris. Vive de trabalho de 'copista' para advogados
reconhecidos que não lhe pagavam o suficiente para mandar fazer um fato, pagar
a renda de um minúsculo quarto e para se alimentar convenientemente.
Vive em silêncio austero,
raramente interrompido.
No quarto ao lado,
moravam dois estudantes pobres, cujas famílias insistiam que eles deviam
formar-se em medicina e direito, profissões sem sucesso à data. Só lhes restava
emigrar!
Desiludido, Z Marcas
deixa-se morrer por 'amor à pátria' em terra de gente sem escrúpulos.
A condição de deputado só
estava ao alcance de gente abonada ou que fosse protegida pela 'nobreza' da
época.
14.1.25
...mas, de facto,
em dezembro e janeiro, os que partem são sada vez em maior número, provando que
a folha humana é caduca... e, apesar de tudo, o frio não é assim tanto se
comparado com o que se passa noutras latitudes... (desta vez, quem viaja é o
Cândido... ele que durante anos assinalou a partida dos comboios)
... partida sem regresso,
mesmo que ainda haja quem prometa a ressurreição... sim, é melhor que tenham fé
na ação divina, porque da ação humana pouco há a esperar...
... e ainda há
aqueles que espezinham quem já não pode levantar-se...
8.1.25
Ainda não fotografei a
chuva deste janeiro, nem sei se ela deixa... O que sinto é que nestes dias, me
desloco mais depressa, com mil e uma tarefas por cumprir... e não descanso
enquanto não o faço... de preferência antes do almoço.
O problema é que neste
janeiro, tomei a decisão de organizar os textos deste blog e compor um livro.
Um Livro! Quem diria! E este blog teve início em 2006: São milhares de posts!
Será que vale a pena
apostar num Livro? E que temas privilegiar?
Provavelmente, esta ideia
é insensata, porque dizem-me que 'há mais alunos nas escolas, só que não
aprendem'..., o que não me surpreende... afinal, o facilitismo já vem de
longe... e os seus fautores continuam a ser promovidos e aplaudidos.
5.1.25
As palavras poucas
agora desnecessárias
só a imagem desfocada
um corpo exaurido
de sucessivos dias de entrega
vezes sem conta forçada
as palavras
mudas então
1.1.25
Um pardal veio morrer
junto ao carro da
doutora.
Talvez procurasse
veterinário!
Será que só os
pardais morrem?
Não penses que,
quando saio,
a comprar o pão…
o faço por obrigação...
Vou ouvir os pássaros.
E hoje não há pão!
É Dia Mundial da Paz.
Onde?
Não é verdade!
Os homens morrem que nem
estorninhos…
E o pão é possível
comprá-lo nas vendas asiáticas...